Alamedas e avenidas

podem levar-nos

ao bonito, ao lindo, ao venusto.


Vias e estradas

podem conduzir-nos

ao belo.


Só por caminhos e atalhos

atingiremos

o sublime.





Queria optar pelo CAMINHO:

Fim de tarde

renunciei às AVENIDAS,

Avenida mais famosa do Mundo

e fiquei-me pela ESTRADA.

Nelspruit street



 

O bonito era fácil demais, o sublime, difícil demais:

salve-se, pelo menos, a beleza.

A essa, nem por nada quero renunciar.


 

De: Júlio Meneses Rodrigues Ribeiro

Para: António

Enviadas: Domingo, 3 de Janeiro de 2016 19:54

Assunto: Memórias

Eu não vou muito nas ditas memórias, António. Por vezes, iludem-nos com os bons e saudosos tempos. Outras vezes, procuram tranquilizar-nos a consciência deitando todas as culpas para o passado. Ou chegam ao cúmulo de quererem convencer e convencer-nos daquele lugar comum, muito cómodo e nada benéfico: --Fiz a minha parte: agora os outros que façam a deles. Não, definitivamente não: todos somos responsáveis desde o uso da razão até o ultimo momento.

É certo que, por vezes, quando os acontecimentos presentes me parecem ter uma relação muito estrita com acontecimentos passados, dou um salto a tempos que talvez tenha gostado de viver, mas nunca para os repetir (saudades, só do futuro).

Também é certo que, por dever de ofício, deixo o meu testemunho escrito, não para fazer história, mas simplesmente pensando que, talvez, um dia, possa ser fonte fidedigna ao serviço de historiadores, sociólogos, estudiosos.

Dividi esse testemunho em nove livros sempre inacabados. Mas todas as divisões são muito relativas: todas as lutas convergem, se efetivamente são lutas pela justiça, pela verdade, pela ternura.

No primeiro, a luta pela vida, contra a morte. No segundo, a luta pela fé, contra a religião. No terceiro, a luta pelas e com as mulheres, contra o machismo. No quarto, a luta pela língua de cada povo, contra as discriminações. No quinto, a luta pela cultura, oral que seja, contra toda a globalização que desrespeite a diferença. No sexto, a luta pela não violência ativa, tanto no campo político como no da medicina, contra o pacifismo e a contraviolência. No sétimo, a luta pela liberdade, contra a opressão, disfarçada que seja. No oitavo, a luta pelo amor conjugal, contra legislações e contratos (a liberdade é essencial ao amor). No livro nono, finalmente, a luta do dia a dia, pela valorização do pormenor, contra a noção de que só os grandes feitos têm valor.

Aliás, o convite que me fascinou foi o de expressar a minha maneira de ver a situação atual da antiga metrópole do terceiro império colonial no século passado. Ausentei-me dela com vinte e cinco anos de idade, e, até a independência de Moçambique, raramente aparecia.

Os teus desafios, António, dão-me grande entusiasmo para continuar. Mira: recomecei logo às zero horas de 1 de Janeiro de 2016, lá, na Austrália. Aqui, eram umas treze horas. Abraços. Inte! Júlio

De: Júlio Meneses Rodrigues Ribeiro

Para: Lurdes

Data: Sexta-feira, 28 de Outubro de 2011, 12:12

Cada vez mais entusiasmado, Lurdes, nas minhas andanças e nos meus trabalhos.

Entusiasmo na luta pela vida (1),

pelo testemunho da alegre nova (2),

pela dignificação da mulher (3), até para que o homem também seja dignificado,

pela palavra (4) libertadora,

pela comunicação sororal / fraternal (5),

pela não violência ativa (6) tanto na política como na medicina,

pela transformação (7) de estruturas domesticadoras em sustentavelmente recriadoras,

por um amor (8) sempre revivido em novas formas, que resista a formalismos e rotinas,

e tudo isto num dia a dia (9) sempre em plenitude,

umas vezes com umas companheiras e companheiros, outras vezes com outras e outros, consoante a vocação de cada uma, cada um, e consoante as circunstâncias.

Há quem desista, mas há quem surja, e isto é entusiasmante.

Quem entra no meu sítio talvez se perca. Preparo, por isso, um exórdio.

O que acima digo refere-se a cada um dos nove filões, fascinantes, penso eu. Mas exigem luta. E, sozinhos, desconseguimos. bjs. Júlio



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ekumi muluku muthiyana
nzu ihatiti ovilelela
ovetekula othelana elelo


Danúbio Azul



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